?Veja este comentário avalizando meu discurso sobre dedicação= Um Tom Jobim, um Vinícius de Moraes, um Baden Powell... a elite da MPB pode ser muitíssimo divulgada por esse meio. Mas... que estranho! Esta elite toda já faleceu! Se não faleceu ainda... está em extinção. E há um motivo para isso. Ora, um músico realmente bom precisa investir em sua carreira. Não se faz bons trabalhos sem muito de esforço, sem muito de dedicação. Isso requer tempo e dinheiro. Hoje em dia, porém, parece  impossível   fazer isso. Um músico não consegue se sustentar, ou ter um razoável nível de vida, com a sua profissão. Ninguém mais compra  Cds originais. Desta forma, a qualidade vai baixando........  Clique este quadradinho pra ler mais  ==>  Themis Leal em 16/11/2002

Compositores das músicas do CD  JECARÉ (músicas JUNINAS)=

01 FESTA NA ROÇA (Hino das festas juninas
Composer(s), autor(es)=
  Mário Zan / Palmeira
gravada originalmente (ou tb) por  (originally recorded (or also)  by) =
Mário Zan
mario_zan.jpg (5580 bytes) uma das canções preferidas para dançar a quadrilha é "Festa na roça", de Mario Zan.       http://www.colegioantares.com.br/saibamais/24-Junino.htm     
      Acredito que não haja um brasileiro que não tenha escutado ou dançado uma quadrilha ao som de “Festa na Roça”, de Mário Zan.
Com mais de 40 CDs gravados - 30 deles em catálogo -, Mario Zan continua a vender bem. Em média, 600 mil discos por ano - entre 80 mil e 100 mil somente durante o mês de junho. Sua discografia inclui cerca de 300 discos em 78 rpm, 105 LPs, além dos CDs, num total de mais de mil gravações não repetidas. Sua popularidade se deve principalmente ao fato de Mario Zan ser mais identificado em todo o Brasil como o maior solista de festas juninas de todos os tempos. Uma reverência feita por ninguém menos que Luiz Gonzaga.
Sua contribuição maior para a festa junina, além de três dezenas de composições, foi ter lançado em disco uma série de marcações para quadrilhas. Funciona mais ou menos assim: antes de começar a tocar, ele conversa com os ouvintes que vão participar da quadrilha, organiza os pares por sexo e lugar e passa a tocar, ao mesmo tempo em que coordena a apresentação.   seu maior sucesso no gênero é Festa na Roça, em parceria com Palmeira, que se tornou um clássico indispensável para quadrilha junina. Enfim, onde tem São João, Mario Zan está presente de alguma forma. Mesmo assim, o sorridente sanfoneiro dispensa o rótulo de Rei da Quadrilha. .....continua ==:> http://www.terra.com.br/musica/2002/06/21/007.htm     

não consigo entender por que os organizadores cedem espaço para dance e outros ritmos nas suas festas. ==>  http://www.rabisco.com.br/colunas/parabolica/parabolica18.htm    Roberto Carlos regravou a musica dele "Os homens não devem chorar".

 

02  Antonio, Pedro e João
Composer(s), autor(es)=   
Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago
gravada originalmente (ou tb) por  (originally recorded (or also)  by) = ?   (Alguém pode nos dizer o nome? (Can someone tell me the name?)
BeneditoLacerda.jpg (21931 bytes)Benedito Lacerda= Um dos flautistas mais famosos e inovadores da música brasileira, estudou flauta no Instituto Nacional de Música. Tocou em bandas militares e orquestras de cinema e teatro antes de entrar para o rádio, nos anos 30, com seu consagrado grupo, o Regional de Benedito Lacerda.
Acompanhou estrelas como Carmen Miranda, Mário Reis e Francisco Alves, além de atuar com êxito como compositor de sucessos como "Normalista", "Jardineira", "Despedida da Mangueira" (com Aldo Cabral), "Falta um Zero no Meu Ordenado" (com Ary Barroso) e "A Lapa" (com Herivelto Martins). Na década de 40 tocou nos cassinos que agregavam a fina flor da música nacional e perpetuou uma série de gravações antológicas em parceria de flauta e sax com Pixinguinha, privilegiando o repertório de choro.
Destacou-se também pelas músicas que compunha para o carnaval e pela atuação como fundador da União Brasileira de Compositores (UBC) e dirigente da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música (SBACEM).   n 14/3/1903  m  16/2/1958
Flautista. Regente. Compositor. Aos 8 anos, começou a aprender flauta de ouvido. Iniciou suas atividades musicais como integrante da banda Nova Aurora em sua cidade natal.
Aos 17 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a residir no bairro do Estácio, famoso por abrigar sambistas e batuqueiros. Estudou flauta sob a orientação de Belarmino de Sousa, pai do compositor Ciro de Sousa. Estudou também no Instituto Nacional de Música, diplomando-se em flauta e composição. Em 1922, ingressou na Polícia Militar, não abandonando suas atividades musicais. De 1923 a 1925, participou da banda do batalhão. Em 1925, foi aprovado em teste no qual executava a parte de flauta da ópera "Il Guarany", de Carlos Gomes. Obteve sua transferência para a Escola Militar do Realengo, como músico de primeira classe, tornando-se solista. Em 1927 deu baixa, passando a viver de suas atuações em orquestra de cinemas e teatros.

Osvaldo Santiago (Osvaldo Néri Santiago), compositor e poeta nasceu no Recife PE 26/5/1902 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 29/8/1976. Passou a infância em São Caetano PE e a juventude em Recife, estreando como poeta, em 1923, com o livro No reino azul das estrelas. No mesmo ano, escreveu sua primeira letra de música, para uma composição de Nelson Ferreira, interpretada por Laís Areda, na revista Mademoiseile Cinéma, da Companhia Vicente Celestino.
     Em 1924, ainda em Recife, fundou a revista Rua Nova e dois anos depois lançou seu segundo livro de poemas, Gritos do meu silêncio, cujo êxito o animou a ir para o Rio de Janeiro RJ.
     Em 1929, ano em que sua revista Rua Nova deixou de ser editada, teve sua primeira composição gravada, na Columbia: Melodia de amor (com música de Nelson Ferreira), interpretada por Alda Verona. Um ano depois, lançou a marcha Hino a João Pessoa (com Eduardo Souto), gravada por Francisco Alves, na Odeon, com grande sucesso. No mesmo ano, foi nomeado para a prefeitura carioca, e compôs, para que Orestes Barbosa estreasse como letrista, Bangalô, que foi gravada na Victor por Alvinho. A partir desse ano, começou a colaborar na imprensa e teve, de 1933 em diante, uma seção, Broadcasting, na revista O Malho, onde permaneceu até 1935. Nesse ano lançou a valsa Há um segredo em teus cabelos (com Gastão Lamounier), gravada por Sílvio Caldas na Odeon, e, para o Carnaval, a marcha Jóia falsa, gravada por Gastão Formenti.
     Ainda em 1935, Carlos Galhardo gravou sua valsa Cortina de veludo (com Paulo Barbosa), e em 1937, da mesma parceria, a valsa Madame Pompadour e a canção Lenda árabe; depois a valsa Salambô (1943) e outras, todas com temas exóticos e misteriosos.
CONTINUA ==> http://www.cifrantiga.hpg.ig.com.br/Crono4/osvaldo_santiago.htm       
Compositor d Jardineira (c/ Humberto Porto, marcha) 1939     Osvaldo Santiago morreu  em 1976

03 Pula fuguera iá iá
Composer(s), autor(es)=  Getúlio Marinho da Silva e João Bastos Filho     
1936
http://www.geocities.com/aochiadobrasileiro/Biografia/BiografiaFranciscoAlves.htm
gravada originalmente (ou tb) por  (originally recorded (or also)  by) = ?
   (Alguém pode nos dizer o nome? (Can someone tell me the name?)
O bom malandro Moreira da Silva ganhava alguns trocados a mais fazendo serestas nos morros. Foi quando conheceu o compositor baiano Getúlio Marinho da Silva, que se encantou com sua voz.    http://www.terra.com.br/istoegente/13/reportagens/rep_moreira.htm
Getúlio Marinho = Compositor. Instrumentista. Filho de Paulina Teresa de Jesus e de Antonio Marinho da Silva, conhecido por "Marinho que toca". Aos seis anos mudou com a família para o Rio de Janeiro. Com essa mesma idade passou a integrar o Rancho Dois de Ouro. Foi apelidado de Amor desde a infância. Foi criado frequenrtando as casas de tias baianas como Bebiana, Gracinda, Ciata e Calu Boneca. Participou dos primeiros ranchos carnavalescos cariocas criados por baianos do bairro da Saúde. Saía como porta-machado no Dois de Ouros, e desfilava ainda no Concha de Ouro. Freqüentou as rodas de samba organzadas pelos baianos que se reuniam no Café Paraíso, situado na antiga Rua Larga de São Joaquim, atual Avenida Marechal Floriano. Com o pioneiro Hilário Jovino Ferreira aprendeu a coreografia dos mestres-sala dos ranchos, tornando-se um grande especialista nesta arte.  n  15/11/1889  Salvador, BA     m 31/1/1964  Rio de Janeiro, RJ
continua em     http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?nome=Amor&tabela=T_FORM_A

João Bastos Filho= 1 dos compositores d  Saudosa Maloca

04  Isso é lá com Sto Antonio
LamartineBabo.jpg (3025 bytes)Composer(s), autor(es)=  Letra (lyrics) = Direitos reservados  -   Música= 
Lamartine Babo
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   (Alguém pode nos dizer o nome? (Can someone tell me the name?)
referencias idolatras

 

 

06 Sonho d papel     ("O balão vai subindo" .... " São João /São João / acende a fogueira do meu coração"
Composer(s), autor(es)=  Letra (lyrics) = Direitos reservados  -    Música=  Carlos Braga e Alberto Ribeiro
gravada originalmente (ou tb) por  (originally recorded (or also)  by) =

07 Capelinha d melão
Composer(s), autor(es)=  Letra  (lyrics)= Direitos reservados  -    Música= 
João d Barro, Alberto Ribeiro e Mellany
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   (Alguém pode nos dizer o nome? (Can someone tell me the name?)

08 Cai  Cai balão
Composer(s), autor(es)=  Letra  (lyrics)= Direitos reservados  -   Música= 
Assis Valente
gravada originalmente (ou tb) por  (originally recorded (or also)  by) =  ?
   (Alguém pode nos dizer o nome? (Can someone tell me the name?)

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As músicas cantadas nas festas juninas de Norte a Sul do Brasil são, quase todas compostas na década de 1930 ! (e hoje, (2004) contionua firme !! )-   com  exceção do repertório composto e/ou gravado por Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, dos anos 40 e 50 e predominante no Nordeste (ver filme Viva São João, de Andrucha Waddington). A partir de 1933, as gravadoras identificaram neste ciclo de festas populares o que hoje seria chamado de "nicho de mercado". O grande sucesso desse ano foi "Chegou a Hora da Fogueira" (Lamartine Babo), que Carmen Miranda e Mário Reis gravaram na Victor com grande arranjo de Pixinguinha. Carmen e Mário repetiram a fórmula no ano seguinte, com "Isto é Lá com Santo Antônio!" (Lamartine Babo). Já o sucesso junino de 1935 coube a Carmen: "Sonho de Papel" (Alberto Ribeiro, 1935) ("O balão vai subindo/ Vem caindo a garoa..."). A irmã de Carmen, Aurora, estreou gravando com Francisco Alves em "Cai, Cai Balão!" (Assis Valente, 1933). O Rei da Voz chegou a lançar DOIS discos juninos em 1935. Já no ano seguinte, Chico Alves só registrou uma música junina, "Pula a Fogueira" (Getúlio Marinho - João Bastos Filho). A fogueira do gênero estava apagando. Aliás, é sintomático que o disco de Orlando Silva com "História Joanina" (sic) (Leonel Azevedo - J. Cascata) tenha saído somente em julho de 1936. Já não era uma música para cantar pisando nas brasas, e sim tendo a festa de São João como cenário. E é dessa forma que, as festas juninas ainda continuaram a aparecer no repertório urbano - por exemplo, o amor de Noel Rosa e Ceci nasceu, como bem diz o samba "Último Desejo", de 1937, numa festa de São João; já Lupicínio Rodrigues culpa o santo por não conseguir seu amor fazendo uma simpatia em "Pra São João Decidir", de 1952 (parceria com Francisco Alves).
Não sei exatamente por que os compositores pararam de fazer músicas juninas. O mais provável é que as gravadoras tenham se desinteressado do negócio, pois era um produto que só vendia no início de junho (geralmente estas músicas eram gravadas no final do mês anterior! - "Cai, Cai Balão" foi registrada em 22 de maio...).
http://www.brasileirinho.mus.br/arquivomistura/03-230603.htm

 

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O DIREITO AUTORAL
Nei Lopes

O grande compositor Zé Keti, glória da Portela, do samba e da música popular brasileira, falecido em 1999 aos 78 anos de idade, pelo menos duas vezes esteve no centro de polêmicas envolvendo direitos autorais. A primeira foi em 1954 quando teve levianamente (o trocadilho é inevitável) colocada em dúvida sua autoria sobre o samba Leviana, seu primeiro sucesso, gravado por Jamelão. O fato motivou, inclusive, seu primeiro afastamento da escola da águia.
O segundo caso, aí já chegando aos tribunais, foi o rumoroso caso “Máscara Negra”, motivado pelo sucesso da antologia marcha-rancho. Felizmente, Zé Keti saiu-se honrosamente na querela, ganhando, em todas as instâncias, os direitos morais e patrimoniais sobre a co-autoria.

O que pouca gente sabia, porém, é que, autor zelosamente profissional, Zé Keti demonstrava posições claras a respeito da questão dos direitos autorais, o que até hoje é exceção entre os compositores, sem distinção de segmentos, escolaridade ou classes sociais.

Em novembro de 1967, por exemplo, depondo no Congresso, em uma CPI sobre o tema, dizia que encarava o problema no seu todo e não como caso pessoal, achando que os editores só deveriam receber comissões de 25% sobre músicas regravadas, quando partisse deles a iniciativa de providenciar a realização do disco: “Atualmente, eles reclamam sempre, mesmo que o autor se entenda diretamente com a gravadora ou com o cantor” – declarava ele, naquela ocasião ao extinto jornal Correio da Manhã. E essa posição é absolutamente correta pois, desde que o negócio da música passou a girar em torno da vendagem de discos e não de partituras, como era no passado, o editor passou a ser um mero agente, intermediário entre o compositor e a gravadora. E se ele não trabalha para colocar a música no disco, é óbvio que ele não deveria ter direito à comissão. Só que as editoras funcionam, hoje, mais como agentes financeiros, em cujos balcões os autores negociam seus direitos. E aí o buraco é mais embaixo.
Mas mesmo autoralmente lúcido, Zé Keti, como a maioria, tirava um pouco o corpo fora, achando que os “doutores” é que podiam resolver os problemas da categoria profissional dos compositores. Em janeiro de 1974, por exemplo, a propósito da criação do ECAD, ele declarava a O Globo:

“Com o novo código que vai entrar em vigor a partir desse mês, será regulamentado em todo o Brasil o processo de arrecadação dos direitos autorais. Agora, os usuários terão que pagar ao pé da letra. Muito bem. Os lucros serão redobrados, certamente irão aumentar o número de fiscais e a máquina administrativa. Os dividendos para as sociedades representantes dos autores serão bem maiores. Mas até agora ninguém falou em compositor, que é o mais importante no caso. Eu só quero ver como a gente vai ficar nesta parada, principalmente os que ainda estão produzindo, isto é, gravando. Vou fazer esta pergunta ao compositor Osvaldo Santiago, da UBC, que está dentro, e aos doutores Daniel Rocha e Danilo Martins, da SBAT, que são os mestres no assunto e que podem defender o bem estar do compositor. Porque mexer com direito autoral é o mesmo que mexer com casa de marimbondo: tem que ter muito cuidado.“.

Zé Keti era o que hoje chamamos um compositor “autoralmente correto”, ou seja, pensava o direito autoral dentro de sua lógica complexa, embora defendesse alguns pontos de vista polêmicos, como o tratamento assistencialista pelas sociedades de gestão. A correção de seu raciocínio básico pode, por exemplo, ser vista nesta declaração publicada pela Folha de São Paulo, nos anos 70:

“A nova modalidade de arrecadação e distribuição de direitos autorais está interessando altamente à classe de compositores e autores, que vêem na montagem da nova máquina arrecadadora, que está se formando, uma maneira de fugir do círculo vicioso já existente, sem renovações, apesar de 30 anos de reuniões e assembléias. Sem, contudo, as mesmas trazerem para os seus quadros associados uma mecânica progressiva, renovadora, pela qual os autores possam respirar em ar novo, sem a poluição do egoísmo, das reuniões articulares e da lei de Murici, o que quer dizer, ‘cada um trata de si’. Ou, também, podemos usar aquele ditado ‘quem está fora não entra, quem está dentro não sai”.

A criação do ECAD, como sabemos, apresentou um avanço no sistema de cobrança dos direitos autorais no Brasil: antes, cada sociedade arrECADava por seus sócios e distribuía segundo seus próprios critérios, quase sempre discriminatórios, eivados de compadrios e safadezas, e ditados principalmente pelos interesses editoriais que se sobrepuseram aos dos autores. A insatisfação contra esses critérios, seguida sempre de rachas e cisões, é que fez aumentar o número das sociedades brasileiras. Hoje, embora a forte influência dos editores permaneça, pelo menos a cobrança é unificada, isto é, todos os direitos de autores e intérpretes gerados pela execução pública de música no Brasil, passam pelo ECAD antes de chegarem, através de uma distribuição teoricamente técnica, a cada uma das sociedades.

Um outro vício de percepção de Zé Keti com relação à questão autoral, aliás muito comum, era enxergá-la pelo viés do assistencialismo.

“O compositor – declarava à Folha de São Paulo, em setembro de 1976 – luta durante 20 anos para fazer um repertório. Grava mais de 200 composições, a idade chega, ele fica velho, deixa de gravar, mas o povo cantou nesses 20 anos suas canções. Esse compositor é esquecido porque apareceram novos compositores, porque o repertório estrangeiro toca 90% diariamente na rádios brasileiras, como todo mundo sabe. E o compositor brasileiro, que tanto colaborou com o cancioneiro popular, que já não grava mais, que tem as suas mais de 200 composições e já está se aposentando? Será que o ECAD vai garantir esse direito que custou suor e lágrimas durante todo o tempo?”.

Zé Keti não percebia que uma obra musical é como uma propriedade, um edifício, uma fazenda, que o dono construiu aos poucos. Se o edifício ficou inabitável ou inviável economicamente ou se a fazenda ficou improdutiva, e se não há como vendê-los ou aos seus frutos, não tem jeito. Aposentadoria é com INSS, previdência privada... é outra história!

O problema crucial do autor e do intérprete de música, no Brasil, é a ficção jurídica que junta, sob a mesma rubrica de “titulares de direitos autorais” tanto os artistas criadores quanto as companhias que exploram economicamente suas obras, todas integrantes de grandes conglomerados transnacionais.

A ficção se assenta na figura da cessão de direitos, ato jurídico pelo qual o autor, ao invés de apenas conferir ao editor poderes para administrar a sua obra, transfere a ele todos os direitos sobre ela, conservando tão somente aqueles chamados “personalíssimos”, como os de ter seu nome ou pseudônimo vinculado à sua criação, por exemplo.

E isso o nosso Zé Keti não chegou a entender muito bem. E seus herdeiros, hoje, certamente recebem direitos autorais mas não são efetivamente donos de sua obra. Mesmo porque a verdadeira face do Direito Autoral no Brasil ainda está sob o disfarce de uma imensa máscara negra.

Nei Lopes é autor, entre outros livros, de "Zé Kéti, o samba sem senhor"
Coleção Perfis do Rio, Relume Dumará, 2000
           http://www.amar.art.br/persona/personalidade_03.htm

 

 

 

 

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